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"Trovas de Amor" ( III )


21
Amor que tudo promete,
falso amor das Colombinas:
- juras e beijos: confeti!
Abraços - de serpentinas!
22
Fui tudo para esse amor
belo, puro, cruel, devasso...
Fui pirata, fui pierrot,
fui arlequim, fui palhaço...
23
Fantasia eu próprio sou
e há um contraste dentro de mim:
- carrego um velho Pierrot
num atrevido Arlequim!
24
Foi Carnaval, riso e cor,
- menos sonho que alegria...
E o que restou desse amor?
Nada mais que fantasia.
25
Nos teus lábios, há dois beijos,
Nas tuas mãos, há dois ninhos...
Nos teu olhos: dois desejos,
no teu destino: caminhos...
26
Podes ter outro Senhor,
até mais rico que um Rei,
mas nunca mais outro amor
há de te dar quando dei.
27
Resta um consolo: pensar
no amor que juntos colhemos...
Nem Deus pode tirar
os instantes que vivemos!
28
Amor de carne e de beijo,
em que, bem sei, já não crês.
Mesmo em sonho, ainda vejo,
Tu, nem na lembrança o vês.
29
Amor que sofro, que almejo,
mata-me logo de vez!
Longe que estejas, te vejo,
Ao teu lado, nem me vês...


  (JG  de Araujo Jorge  - Trovas de Amor - III
in "Cantiga de Menino Grande" - 1962 )


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