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"Olho As Mãos... E Penso... "
Maria Helena
Ah! minhas pobres mãos tristemente serenas
Sem Sol nem sangue nem brasas,
Que adormeceram com penas
Mas acordaram com asas.
Mãos sob o manto gelado de um lençol
Que as não deixava ser,
No medo horrível de que o Sol
As pudesse aquecer.
Mãos vazias, exangues, vacilantes,
Perdidas em qualquer estrada,
E apenas trasbordantes
Da presença de nada.
Mãos sangrando dos golpes do açoite
De uma viuvez precoce.
Mãos possuídas pela noite
E a qual o dia foi roubar a posse.
Mãos sem pecado concebidas
E que se encheram de pecado
Batendo a todas as portas.
Mãos-jardim abandonado,
Com mil rosas nascidas
De mil rosas já mortas.
Mãos que eram de barro frio, sem Primavera,
Isentas de contorno ou desenlace,
Que mesmo sem saber, estavam a espera
Do artista que as moldasse.
Mãos onde pousava o luar
Como pousando em matagais.
Mãos que eram tão retas como o alto mar
E que já se arredondam em perfis marginais.
Mãos que o Destino maltratou
E de lágrimas vestiu.
Mãos que a dúvida fechou
E que a certeza abriu.
Mãos que não tinham Norte
E lentamente tombaram
A meio da subida.
Mãos que foram tocadas pela graça da Morte,
Mas que ressuscitaram
Para a graça da Vida!
(Resposta de Maria Helena ao Poema de
JG de Araujo Jorge do livro
" De Mãos Dadas" 1a edição1961.)
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