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" Tarde de Chuva..."
( Resposta de Maria Helena ao poema
" Numa Tarde Como Esta " de J.G. )
Naquele dia
De chuva que tombava sem ruído
Numa cadência desigual,
Quando cheguei, molhada e fria,
A tua voz cantou ao meu ouvido
"Essa roupa há de lhe fazer mal..."
E voltei outra vez e outra ainda,
De coração em festa.
E tu me vias linda, ai! cada vez mais linda
De uma beleza que o amor empresta.
E foi uma alegria consentida
De risadas sonoras
Acrescentando o rol.
E no relógio desta vida,
Caíam as horas
Como uma rosa que se desfolha ao Sol.
Porque os meus braços o pediam,
Isentos de receios ou cansaços
Todos os dias os meus braços iam
Ao encontro amoroso de teus braços.
Porém, naquela tarde junto ao lume,
Enquanto a chuva tinha um som exangue,
Tu fizeste uma cena de ciúme
E eu fiquei magoada até ao sangue.
Porque partiste os doces laços
Cravando em mim o mais injusto espinho
Nunca mais voltarás a ouvir meus passos
Cantando na certeza do caminho.
Se à tua foi minha alma companhia
E hoje a sentes viúva,
Nossos fados o Tempo os modelou,
Pois se a chuva me trouxe um certo dia,
Foi essa mesma chuva
Que um certo dia me levou...
( Poesia de Maria Helena- extraído do livro
JG de Araujo Jorge " De Mãos Dadas" - 1961)
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