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"Lírica Nº 61 "
J. G. de Araujo Jorge
Parte.
Abandona-me depressa.
E se chegares a ser saudade,
eu talvez perceba, embora tarde,
que também foste amor.
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Lírica 61
Se já estas farto,
Se não passo de agora sem promessa,
Parto,
Mas sem rancor nem pressa.
Parto para teu mal e teu castigo,
Com minhas mãos leais
E a imensa verdade do meu ser.
Parto, mas levarei comigo
A certeza do dia que jamais
Para ti há de amanhecer.
Parto, escutando já o teu queixume
De rastros a meus pés,
Porque sem mim
Não haverá perfume em teu jardim
Nem as Estrelas terão fume
Nem as ondas, marés.
Se o teu amor já me não touca
E me expulsou do Paraíso,
Parto, mas levo em minha boca
A sonora presença do teu riso.
Parto, mas tua vida há de ser sempre incalma
Do desespero em cruz que de ti se avizinha;
Parto, mas deixo impresso na tua alma
O desenho da minha.
Na direção do Sol e do luar,
Já toda a luz em mim presente,
Parto sem pressa nem rancor,
Para quando a saudade te matar,
Possas entao saber, nitidamente,
Até que ponto eu fui amor.
( Poemas de JG de Araujo Jorge e
Maria Helena
do livro " De Mãos Dadas " 1a edição 1961.)
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