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"
Então, Sim... "
                                                           J. G. de Araujo Jorge

Não morri, porque sei que ela tarda.

Então, sim,
morrerei de amor.

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" Agora, Não... "
                                     Maria Helena

Morrer? Diluir em noite o Sol nascente ?
Tornar mais branco do que os linhos
O azul da Primavera,
Quando temos a Vida à nossa frente
E todos os caminhos
À nossa espera?

Morrer ? Agora que voltou o alento?
Agora que acabou o drama
E se acabou a dissonância?
Morrer neste momento
Quando o mundo nos chama
Com gritos de distância?
Agora, que já temos um farol?
Que espedaçamos as desilusões
Com nossas mãos miraculosas?
Quando o Sol é mais Sol
E todos os botões
Se tornam rosas?
Morrer, não tendo cárcere nem gritos?
Com mil horas serenas
Aquecidas à chama de mil brasas?
Morrer, olhando os Infinitos,
Quando todas as penas
Agora são asas?

Morrer, quando a alegria é que nos leva
Por estradas seguras
E cantam em nossa voz?
Agora, que findou a treva
E todas as Estrelas das alturas
Se acendem para nós?
Agora, que eu sou flor e tu és haste
E em nós está presente
O amor e sua lei?
Quando tu finalmente me encontraste
E quando finalmente
Eu te encontrei?
Não desprezes as vozes que nos chamam,
E seremos depois
Uma certeza toda em flor.
Deixa morrer aqueles que não amam,
Que até ao fim dos séculos, nós dois
Viveremos de amor.


( Poemas de  JG de Araujo Jorge  e Maria Helena
do livro " De Mãos Dadas " 1a edição 1961.)


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