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"... De Mãos
Dadas... "
Maria
Helena
Poeta sem esperança,
De alma chagada em todos os desvãos,
Não andes de mãos dadas com a lembrança:
Aqui tens minhas mãos.
Deixa que uma vez mais te vença a fé
E encha de luz teus prantos derradeiros,
Que eu sou como o Sol é:
Rasgo nevoeiros.
Que te importa pisar um solo duro
E a pele corromper no mais agudo espinho?
Quando se põe os olhos no Futuro,
Qualquer sonho é caminho.
Não ignores o aceno que te chama
Das raízes da noite fugidia.
Cego do coração, floresce e ama
E acenderás o dia.
Se em tuas horas sós
Apenas a mudez povoa a tua cela,
Não oiças o silêncio! Eu te dou minha voz:
Canta com ela!
Não penses nas saudades ou na dor
Que te limitam como uma prisão.
Se à tua vida falta um fim, de novo o amor
Lhe dará direção.
Não te feches em ti, de ti ausente
E veste de calor o sangue nu.
Se tens o mundo aberto à tua frente,
Que mais precisas tu?
Quebra o cárcere estreito
Onde penas e raivas te consomem.
Sê o Homem humaníssimo e perfeito
Que apenas sente à dilatar-lhe o peito
A glória de ser Homem!
(Resposta de Maria
Helena ao Poema de
JG de Araujo Jorge do livro
" De Mãos Dadas" 1a edição1961.)
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