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" Conquista "
Maria
Helena
Naquele instante de fugaz magia,
Sem dimensão nem lei,
Era poesia, sim! Era poesia
Quando com minha vida te salvei.
Se a noite longa nos Espaços nus
Derramava luar em cada alfombra,
Era poesia cantar luz
No silêncio da sombra.
Quando o teu corpo ousado
De cansaços e febres se morria,
Era poesia o cimo conquistado
E a queda vertical, era poesia
E não havia mágoa nem abrolhos,
E só havia rimas e doçuras
Quando te debruçavas nos meus olhos
Inda ofegante de escalar alturas
A Vida era a promessa realizada;
A terra, um Céu em nós imersos...
Se até mesmo a vertigem deslumbrada
Tinha o sabor de um verso...
Era poesia que depois se erguia
Dos nossos dedos presos e revoltos,
Como existia
Uma imensa poesia
Nos meus cabelos soltos.
Na noite sempre mais escrava
Da rainha-manhã suavemente bela,
Era poesia o Sol que despertava
E batia à janela.
No mais profundo enleio
Ante o fulgor do novo dia,
Eu te apertava contra o seio
Num gesto de poesia.
Era poesia na minha alma vencida;
Era poesia o teu abraço forte;
Era poesia a luz que a escuridão vencia.
Nós éramos poesia, era poesia a Vida
E até a própria Morte, até a própria Morte,
Era poesia!
(Resposta de Maria Helena
ao Poema de
JG de Araujo Jorge do livro
" De Mãos Dadas" 1a edição1961.)
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