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" Viajante "
Sou assim
oscilo como um pêndulo, entre a aventura
que o tempo vai frustrando
e que a imaginação transfere, para onde? para quando?
- e o amor pelo recanto anônimo de minha casa
onde meus livros me cercam todos os dias, e onde todas as coisas
tem gestos de aconchego à minha entrada.
Oscila, entre o ímpeto marinheiro que a vida não destruiu
e o tempo não dominou,
de abrir velas e partir , para onde? para onde?
- e os momentos em que a pausa é um tóxico invencível
e me entrego à raízes, ao chão onde me encontro, e me deito
satisfeito de olhar o mesmo céu.
Oscilo entre o sonho que a imaginação leva,
na sensação de partidas que nunca se deram
e a emoção da chegada, de uma estranha chegada
que encerra alegrias indizíveis
sem que nunca tenha partido...
Na realidade, estou sempre chegando...
por isto, esta alegria
do encontro com a paisagem cotidiana,
- mas como gostaria de chegar realmente
e como seriam as coisas no momento em que voltasse ?
Na realidade, estou sempre chegando,
mas como gostaria de partir realmente...
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )
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