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" Uma Janela "


Que ao menos uma janela abrisse para o céu
onde os saveiros tatuassem seus mastros, suas velas
e a fumaça das chaminés desse o tom necessário.

E que à noite houvesse um tango sem pátria
e se ouvisse a Internacional no porre dos marinheiros...
e as mulheres passassem pela rua, displicentes, as mulheres
e os cachorros...

Que ao menos uma janela não batesse suas asas
contra a parede dos fundos de um outro apartamento...


( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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