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" Solilóquio "
A poesia chega forte como uma hemoptise.
Mancha de vermelho o papel e se transforma em palavra.
Vem em golfadas, depois de longos períodos de ausência.
Rompe a inércia, abruptamente, como um objeto
solto no ar!
Oh! a ânsia de não poder contê-la tantas vezes nas palavras,
vê-la desperdiçar-se, fugir, entranhar-se no chão,
como a água da chuva em terra seca.
Pequeninas e insignificantes taças são as palavras
de que disponho para servir meu pensamento.
Meu Deus!
como hei de conseguir conter nestas taças pequeninas,
feias e opacas, a torrente sonora e clara que não para,
que me afoga?
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )
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