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" Presença de Meu Pai "



É tudo imprevisto. De repente, sinto meu pai em mim.

Este jeito de debruçar na janela
era o dele,
e era o dele este ar pensativo que tomei,
e este pigarro, que até minha mãe reconhece,
era o dele, bem sei.

É tudo cousa de um segundo: meu pai esta em mim.
Esta pensando, esta debruçado na janela,
esta no gesto involuntário em que se trai
na entonação da minha voz.

Esta presente. E eu o vejo, e o sinto - estranhamente
e compreendo, de repente, entre surpreso e o incrédulo,
que as vezes, eu sou ele, e em verdade sempre nos encontramos
no meu gesto, no meu riso, na minha voz,
em algum estranho segundo,
a sós.


( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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