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" Poema Bilioso "


O fígado
- esse infame policial - não me entrega o passaporte
para as viagens que eu realizaria...

E me obriga, como um condenado, escutar , dia após dia,
meus entediados passos sem saída no pátio do presídio

Apenas, vez em quando, uma espiadela sobre os altos muros
um rápido olhar para vida distante
onde os homens e as mulheres sonham e se confundem...

Em vão tenho tentando a fuga, ele está sempre presente
e me derruba como um policial a cada nova tentativa...

Ah! não ter fígado!
ter o mundo do ao alcance do sonho,
em doze doses de uísque...


( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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