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" Pausa "


Tinha vontade de nesta curva, parar um pouco e te dizer:
vamos olhar para trás, vamos ver a paisagem que possuímos,
o caminho que fugiu de nossos pés
e na pausa, retocar o quadro que parece se esvair
se não lhe dermos novas tintas com as nossas lembranças.

Temos andado demais, despercebidos de nos mesmos e de tudo,
desprezamos as emoções que já, encheram tantas horas
e uma sensação de vazio nos vai tomando pelas mãos
e vai chegando ao coração
como um hálito frio.

Vamos para de conversar. Tenho certeza de que
ao falarmos sobre nós mesmos
revolveremos o calor que permanece e reencontraremos
o prazer
que nos tem abandonado, neste mundo tão cheio de gente
desnecessária e prejudicial ao nosso sonho.

Quem como nós tanto andou e de tão longe vem
repartindo o mesmo sonho
traz certamente no coração o destino da eternidade.



( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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