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" Imortal "
Me sinto na academia
me sinto "imortal" nesta mensagem que chegou de longe
como um branco pombo cansado e pousou sobre a minha mesa...
Um irmão de Loanda, um irmão negro me manda uma
mensagem de paz
e me aperta ao seu coração, emocionado, e me agradece,
o que julgou ter encontrado
naquela "Estrela da Terra"...
Releio a carta, e um calor me aquece o coração com esta
palavra que vem de longe
e me toca como o sol,
que me fala acima de fronteiras e desconhece oceanos
como a visita pródiga e inesperada de um irmão extraviado
que chegou...
E releio então outras cartas - revoada imprevista que
meu canto acordou - e que justificam
minha poesia além dos lábios, minha poesia nos livros
como flores, que não sei se o tempo despetalará. . .
A do prisioneiro político de Fernando de Noronha,
a que veio do Leprosário
a que chegou da cadeia municipal de Juiz de Fora,
a do poeta de Montevidéu, e as das moças de Taubaté
e de Erechim,
para quem sou maior que Guilherme de Almeida e
Alceu Wamosy.
Me sinto na Academia
me sinto "imortal",
vou rever cem jornais de cem diretores desconhecidos,
de cem pequenas cidades de minha terra,
onde minha palavra ocupou espaço, pensou, a falou aos
homens e aos corações. . .
Ontem o amigo informou que as 10,30, precisamente
as 10,30, através da emissora que ele pegou, de um Estado qualquer,
uma voz pedia licença e comunicava a mensagem que era minha
mas que caiu como a boa semente, e multiplicou-se pelo ar. . .
Me sinto na Academia
me sinto "imortal",
Não sei bem de que academia
nem sei a que morte me refiro
sei que neste momento me sinto como as crianças
e os animais
para quem a morte não é nem mesmo,
uma palavra que se lê.
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )
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