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" Embriaguez "

                                                      " Ah! como quem bebe se ausenta estranhamente
do ato de beber"
                                                                          (Segunda Elegia. Rainer Maria Rilke)


Que poderíamos esperar, amor, ao fim do brinde
senão duas taças vazias ?

E é inutil reenchê-las... cada nova taça nos afastará mais
do prazer inicial
e nos levará ao esquecimento.

Ninguém recuperará jamais o sabor dos primeiros goles
e as puras alegrias da primeira taça...

Ergamos um brinde à embriaguez,
que ela só, nos faz esquecer o quanto nos afastamos
de nosso amor,
e o quanto o vamos esgotando sem sentir,
a cada novo brinde !


( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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