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" Elegia da Folhagem "



E vieram  uns homens estranhos, empunhando suas armas,
e derrubaram sobre a calçada as ramagens mais altas e belas
das amendoeiras.

As crianças estão brincando sobre a morte da folhagem
e elevam no ar os galhos decepados como inocentes estandartes...

Posso perdoar as crianças,
não perdôo, no entanto, os que perpetram este crime todos os anos
contra as amendoeiras de minha rua
- as amendoeiras de todas as ruas

Como seria bom se elas pudessem subir livremente
e trazer seus ramos até minha alta janela.
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Amanhã, quando o vento vier
as folhas que restarem sussurrarão elegias pela rua,
e ouvindo-as, por um segundo, recolherei meu canto.



( Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )


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