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" Diante do Mar de
Copacabana"
Mar
Insignificante que sou, diante do teu tempo e do teu canto,
que já encontraram estas montanhas, estes horizontes,
e assistiram o nascer da paisagem...
Penso em como seriam tuas praias de areias cantantes e imaculadas,
ainda puras, sem a luta dos pescadores que te abandonam
e a invasão dos forasteiros,
num tempo em que as conchas ornavam de rústicos colares
o teu colo curvo, acariciado de vagas impetuosas . . .
Penso no êxtase selvagem dos primitivos tamoios diante de tua beleza
e no deslumbramento dos primeiros homens brancos
que marcaram a carne macia de tuas areias mornas
com suas pegadas de posse...
Mas me sinto feliz. Eu também te conheci, pude chegar a tua orla
e assistir tuas vagas em múltiplos acordes
e nos mais estranhos bailados.
Aqui estou diante de ti, na clara manha, entre tantos que te vêem
e nao te percebem,
que se banham e não te sentem,
que se deslumbram,
e não te compreendem,
e me deixo por um instante a lastimar que não pudesse
ter chegado naquele tempo
em que te conheceria puro e só, livre e sem espectadores,
espojando teu canto nas vazias praias, em solidão.
Eterno, continuarás a jogar tuas ondas diante de outros olhos,
a envolver outros corpos,
e nem perceberás um dia minha ausência,
como não percebes que estou presente
e te ofereço o meu culto.
Novas manhas transparentes iluminarão tua face móbil,
encherão de reflexos o esmalte de tuas espumas,
e eu ja não estarei diante de ti, não respirarei diante dos teus horizontes
- restara apenas - quem sabe? - as palavras que tentaram conter-te
em todas as dimensões da tua beleza!
Palavras de coral, nascidas de ti, e que ficarão ornando as tuas areias,
como raras a pequeninas conchas, a que só as crianças dão valor,
as crianças, que felizmente não envelhecem. . .
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " Harpa Submersa " 1a ed. 1952 )
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