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" REENCONTRO
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( A Friburgo)
É como se tivesse nascido entre os vultos
destas montanhas que invadem o azul
de lado a lado,
é como se eu tivesse as raízes no chão
e sob os velhos eucaliptos da Praça, o coração...
- como se tudo conhecesse antes de ter chegado...
É como se eu descendesse dos louros imigrantes
que há tanto tempo vieram, no tempo de D. João VI
sonhando uma nova terra de trabalho e de amor,
e subiram as encostas pelo caminho do Cônego
antes de a grande pedra ser a Pedra do Imperador!
É como se eu estivesse aqui com os primeiros colonos de João Bazet,
na hora da primeira refeição,
no instante da primeira prece,
e visse amanhar a terra, como o moleiro a argila,
e visse surgir o vaso, e visse ampliar-se o vaso,
e assistisse a plantar a pequenina vila
hoje a cidade que cresce...
É como se meus passos tivessem sido os primeiros
a deixar pegadas pelo chão sem marcas
num gesto de conquista, de alegria e espanto,
e os córregos me olhassem fraternos e incrédulos
e os pássaros sem medo repetissem meu canto!
E apesar de chegar, de me sentir o primeiro
tal como na verdade me senti,
é como se eu já tivesse nascido antes aqui...
Diante dos céus escampos, sob o azul profundo,
ouvindo as águas pulsando no peito da serra,
meus olhos reconheceram : sim, é esse o meu mundo!
E ouvi meu coração: reencontrei minha terra!
( J. G. de Araujo
Jorge in
"Canto à Friburgo" - 1961 )
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