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XII - PAISAGEM "

À noite - quando o dia ainda está muito além -
sem ouvir a sineta irrequieta do trem,
sem escutar o canto alegre dos pardais
e a feliz algazarra dos colegiais,
Friburgo dorme e sonha, e relembra o passado,
- a longínqua fazenda do "Morro do Queimado".

Nas noites de luar, que polvilham de luz
as vastas amplidões dos altos céus azuis,
O "Bengalas" parece uma espada de prata
na bainha da noite, a espetar a "Cascata"...
Pelas margens, e junto às águas espelhentas,
há cantigas de sapos e de rãs barulhentas,
e os "bougainvilles" despidos das folhas, no frio,
já não se olham vaidosos no espelho do rio!

Há uma estranha beleza, há uma beleza estranha,
na lua liqüefeita a escorrer na montanha
como as lavas de prata, de um vulcão sem gritos,
que pintasse de branco, os velhos eucaliptos ...

No silêncio dos bancos quietos do "Suspiro",
escondidos do luar procurando o retiro,
há casais de mãos frias, dadas febrilmente,
só as mãos - porque o peito é uma caldeira ardente!

Ao luar, Friburgo inteira, - a terra, o rio, o céu, -
está vestida de noiva, e é belíssimo o véu !

  (  J. G.  de Araujo Jorge   in
    "Canto à Friburgo"   - 1961 )


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