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V - O IMIGRANTE "

É sempre pela madrugada friorenta,
quando tudo está quieto, e não chove, e não venta,
que Friburgo, envolvida num silêncio enorme,
se encolhe em cobertores de neblina, e dorme.

Dorme e sonha, e relembra uma manhã distante
quando surgiu na serra o primeiro imigrante:
- olhos azuis, cabelos louros, fala estranha,
a abraçar com um olhar deslumbrado a montanha

recoberta com o verde tapete selvagem,
da mataria densa e da espessa folhagem!
Toda verde! Vestida toda de esmeralda,
tal como uma bandeira, a ondular, falda em falda,
sacudida de vento e incendiada de luz,
refletida no céu dos seus olhos azuis!

E escuta a sua voz, a cantar como um hino;
no momento em que vai começar um destino.

  (  J. G.  de Araujo Jorge   in
    "Canto à Friburgo"   - 1961 )


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