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"POEMA À
ESTAÇÃOZINHA de
TEODORO DE OLIVEIRA "
( No Alto Da Serra De Friburgo )
"Cidade cujo nome é um símbolo e um troféu
parada de um caminho... a caminho do céu!"
Hoje passo por ti, depressa, mal te vejo
com tuas locomotivas fumegantes
teu negro chão
de carvão
no fundo do vale
a te protegeres dos ventos...
Passo por ti, e mal te vejo, em rápidos instantes,
pela estrada
asfaltada,
alheia à tua sorte e aos teus ares nevoentos...
Antes eu te encontrava me espiando pela janela do trem
numa tristeza atroz
fixa, perene,
com teus olhos baços, nas chamas fumacentas
dos lampiões de querosene,
como olhos que olhassem de um outro mundo para nós...
As janelas fechadas, sempre fechadas,
num velho vagão, sombrio, lento, maçador,
e as vidraças embaciadas
como se dentro delas avaramente conservássemos
o último bafo de vida, de calor...
É sempre uma aragem fria a te crestar o corpo duro
de pedra,
e a arrepiar a escassa e áspera vegetação que nos teus morros
sofre, medra
e chora...
Me lembro das tuas crianças (e em todo lugar há crianças...)
olhando os passageiros apáticos, indiferentes;
que subira a serra varando a mataria e o céu fechado,
denso...
(As crianças que eram como puros desejos, inocentes,
numa hora de luto intenso...)
Me lembro das vozes nas neblinas, e em minha imaginação
tu te transformas de repente, num país de fantasma
e misteriosos entes...
(E havia apitos apunhalando a sombra
e ruídos de ferros que se chocavam, estridentes...)
Estaçãozinha do alto da serra:
passam por ti, sem parar, as estações da natureza,
são tão rápidos os teu momentos de sol
e de luz
nas claras manhãs de estio,
nessas alturas silenciosas e pesadas
só o inverno faz demoradas "paradas"
e te deixa a tremer, longos meses a fio...
Entretanto, - ó pobre estaçãozinha!
com esse teu ar indigente e abandonado,
ouço sempre a sineta do trem, ao sinal de partida
soar alegre como uma campainha
ou feliz, como um guizo...
É que eu sei que tu és o feio portão, enferrujado,
por Deus, bem alto, colocado,
à entrada do Paraíso!
( J. G. de Araujo
Jorge in
"Canto à Friburgo" - 1961 )
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