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"
Variações Sobre o Destino "
                                    ( Trovas )
 
1 -    Destino: fatalidade!
    É como a pedra que cai.
    É uma "lei da gravidade"
    a que ninguém se subtrai.

2 -    Se "estava escrito!" se diz
e como certo se aceita,
quem sabe, a trova que eu fiz
talvez ja estivesse feita?

3 -    Sobre o imenso mar, lutando
    vejo o barco pequenino,
    e penso no homem tentando
    enfrentar o seu destino.

4 -    Descemos de cambulhada
    o rolar na vida, ao leu:
    o destino é uma enxurrada,
    nós, um barco de papel. . .

5 -    "Tinha que ser, é o destino!"
    repetem crentes e ateus.
    Misterioso e divino
    o destino, é um outro deus.

6 -    Se não me julgo culpado
nem és culpada, imagino,
desse amor tão desastrado,
- seja culpado o destino.

7 -    Mágico estranho, que faz
    da vida, uma ânsia constante,
    o destino se compraz
    em mudá-la a cada instante.

8 -    Cada vida é um labirinto
onde um de nos se perdeu,
e onde bem poucos, pressinto,
têm a sorte de Teseu.

9 -    Ela me olhou . . . Eu olhei . . .
Um lar, um berço, um menino. . .
- "É a vida, dizem". . . Bem sei,
mas chamo a isto: o destino.

10 -    Senhor da vida? Risível:
tens trilhos, roteiro, marco . . .
O destino é o invisível
comandante do teu barco.

11 -    Rege o mundo, a criatura
como um maestro perfeito:
o destino é a lei obscura
a que tudo esta sujeito.

12 -    Bem o povo lhe atribui
    um poder quase divino,
    pois, na sentença, conclui
    - "Ninguém foge ao seu destino".

13 -    Julgas-te livre e tão forte
que és dono do teu porvir,
e o destino dita a sorte
que terás de perseguir.

14 -    O homem, de alma iludida,
tão pouco tu tens de teu
que até tua própria vida
o destino é que te deu.

15 - Quem somos nos? Indefesos
pobres bonecos, sem pés...
O destino nos tem presos
aos seus estranhos cordéis.

16 -    Deus poderoso, maneja
    nosso mundo pequenino . . .
- Quem, por mais forte que seja
tem mais força que o destino?

17 -    Tem vários nomes : acaso,
    sorte, azar, fatalidade.
    O destino é como um vaso
    de uma for : a liberdade.


( Poema de J G  de Araujo Jorge
  in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )


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