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" Perguntas ao Primo Rico "
Sim ergueste fábricas, altos-fornos,
lançaste trilhos,
mas quem fez teu carvão?
Sim, construíste máquinas, tanques,
navios, foguetes, mas quem fez teu petróleo?
Já te imaginaste, por um momento,
sem as possantes artérias de hulha
latejando em teu chão?
Sem as tetas pojadas de leite negro
da Pensilvania e do Texas,
porejando óleo para a tua fome
expansionista?
Continuarias cantando "blues" as margens
do grande rio, o Mississipe
da "Cabana do Pai Tomás" ,
e de Mark Twain;
ou talvez, sob amplos sombreros mexicanos
plantarias algodão, tomarias aguardente,
( não beberias Coca-Cola).
Não chamarias, orgulhoso, do alto dos teus arranha-céus
de agiotas e argentários
aos teus irmãos mais pobres, do hemisfério Sul:
- "Republicas de bananas"!
Talvez, até
mais humano,
caminhasses com teus irmãos negros
no mesmo passo, lado a lado,
e formarias outros Estados Unidos, muito mais unidos
e realmente mais fortes,
e poderias olhar o futuro sem medo:
-sem Litle Rock, Kansas City, Menphis ,
ou Dalas.
Outros Estados Unidos, realmente unidos, onde Lincoln
teria assistido o espetáculo até o fim
antes de entrar na Historia,
e os jovens Kennedys, contemporâneos do futuro,
continuariam ainda, vivas mensagens,
e não, simples memória.
Não serias grande nem pequeno
mesmo que permanecesses execrado,
com as faces vermelhas pelo calor das fogueiras
precursoras hediondas das tuas forças
da cadeira elétrica, das câmaras de gaz.
Não serias grande nem pequeno
mas simplesmente um povo
que poderia se ver por dentro, em suas reais proporções,
- tal como te mediu Harry James, -
ruminando o seu puritanismo
em indigestos versículos bíblicos,
com o sexo nas circunvoluções
o racismo no genes
e o pecado no coração.
Sim, construíste uma civilização
de concreto e de ferro, de petróleo e carvão,
arrancaste do átomo a energia e o terror,
e já chegaste a Lua,
- mas quando chegaras à cultural ?
E quando transplantarás para o teu corpo frio
um coração?
( Poema de J G de Araujo Jorge
in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )
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