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" O Poeta Importante "
O poeta importante
editado pelo Ministério da Educação
não vai com a minha cara
finge que não me vê.
Já fomos apresentado três vezes.
O poeta importante faz um riso amarelo:
- Ah!, muito prazer!
Agora
ele está na livraria
entre abraços e sorrisos
na sua "tarde de autógrafos":
serve poesia "salgadinha"
com uísque escocês.
O Poeta importante
está nas enciclopédias, nas antologias,
( principalmente nas próprias )
é chamado de mestre nos Suplementos amigos
ou nos jornais de letras, amigos,
de sucesso,
que pegaram de enxerto
na grande capital.
O poeta importante
é também "imortal",
será aposentado por uma lei camarada
de um deputado camarada.
Sua obra já nasceu aposentada:
não chegará ao povo.
O Poeta importante, por isto
não gosta do povo, não gosta dos poetas
que têm leitores:
seu olfato delicado não agüenta
o cheiro do povo.
O poeta importante
não fala de amor,
é um tema banal, decadente, popular -
ele só fala da morte e de coisas metafísicas,
ele não tem coragem de confessar
que não ama,
que já morreu.
O poeta importante
carregando sua poesia, como boneco ventríloquo,
é promovido por sua agência de publicidade
e posa de "prêmio Nobel"
para uma doméstica imortalidade.
Tenho uma humilde mensagem
para o poeta importante:
- o difícil é cantar
e o povo nos dar a mão.
( Poema de J. G. de Araujo
Jorge
in " O Poder da Flor " - 1969 )
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