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" Minha "Arraia" "
Dois pedaços de bambu
um pedaço de papel
e eu soltava minha "arraia"
meu "papagaio"
no céu.
Arraia foi papagaio
no meu tempo de alegria,
a minha subia sempre
e planava alto, no espaço,
não caia.
Quando a empinava na praia
cada vez dando mais linha
num curioso vaivém,
ela ia sempre mais alto...
Quem torava minha arraia?
- Ninguém.
Ei-la feliz nas alturas
a voltear, a cabecear,
fazendo no ar mil diabruras
como se afinal quisesse
se libertar.
Duas varetas somente
papel fino, cola e linha,
tão pouco afinal, suponho,
e ei-la no azul, como um sonho
bom, que eu tinha.
Ah, minha arraia, soltei-a
num tempo em que minha vida
era alfenim, puro mel...
Hoje, deitado na areia
mesmo sabendo-a perdida
julgo vê-la ainda flutuando
no céu...
( Poema de J G de Araujo Jorge
in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )
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