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" Desabafo Fraterno "
Deixem que fale um pouco de mim, que eu
não falo de mim mesmo, estou falando
de tantos que sem voz carregam ânsias
surdas angústias, grávidas tormentas.
Por Deus não é egoísmo esse meu canto
que sou irmão do homem humilde e só
sem Deus, sem liberdade, sem amor,
a quem sirvo este canto de esperança.
Tanto quis e sonhei, cantei com a vida,
- porque trouxe essa luz que Deus me deu?
e essa força de ser, que realizada
tanto faria além de mim talvez?
O mais triste é sentir que estou morrendo
carregando comigo, intatos, puros,
todos os cantos que esperei, e a força
que seria capaz, e levo ainda.
Em que palavras poderei me achar?
Como batizarei tanto sonhar
que se agita, a esperdiça inutilmente
como algo vivo que morreu sem ser?
Ver as dias pesados, como os anos
passando, e as circunstâncias quase sempre
se armarem conspirando contra o sonho
como um fruto distante a balançar.
No íntimo a carregar os mesmos lances
que fariam do anônimo um herói,
e a sentir como um vento o tempo frio
levando tudo, enquanto fecho os olhos.
( Poema de J G de Araujo Jorge
in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )
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