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"
Castigo "

 
Amo-te no silêncio, contrafeito,
               temendo a incontinência dos meus olhos,
     pobre amor que se perde, inevitável,
consumido de apelos e renúncias.

      Sei que és manhã ainda, no céu puro,
claridade que apenas prenuncia,  
    fruto de-vez que a luz vai madurando
entre aragens e pássaros na altura.

Vejo-te, e me castigo a imaginar
      o gesto de colher, que não encontro
para tanta beleza, - e desespero

e fecho os olhos para não te ver,
    e tento em vão cegar o pensamento
             se és, a um só tempo, luz que cega e atrai.


( Poema de J G  de Araujo Jorge
  in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )


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