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" Canto Inconformado nº 2 "
Sou um poeta pequeno burguês
vivendo a sua rotina, a sua pequena linha circular
- acanhada província cotidiana -
com hora de almoço, hora de dar aulas, hora de deitar,
fabricando umas poucas madrugadas para escapar com a poesia,
mas que se casou com a própria aventura, e domesticou
seus ímpetos boêmios.
Este o sarcófago sem epitáfio.
Nele me encontro hirto a frio como se já não houvesse
amanhã.
Uma pena que a vida - rio turvo, - tenha me arrancado
como um arbusto de frágeis raízes,
e me arraste indefeso para o mar inexorável.
E olho a terra que foge, e me debato, a desespero
porque levo a mensagem que deveria semear
e vejo que me acenam, e sinto que me esperam, e morro
sem poder partilhar meu canto.
( Poema de J G de Araujo Jorge
in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )
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