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" Canção aos Bares dos Portos "
Gosto dos bares parados diante do mar
como sonhadores ou vagabundos,
frente às docas, aos Quasímodos guindastes
recursos como corpos de estivadores a
o peso do trabalho.
Gosto dos bares diante do mar
junto ao cais,
com suas portas poliglotas rindo
ou gritando, alegrias e palavrões
no porre dos marinheiros
Onde se sentam aventureiros, trabalhadores
e por ironia,
as mulheres sem porto,
onde só se fala da terra, mas onde se respira
o sal dos ventos
nos cabelos, nos blusões, nos olhos turvos.
Gosto dos bares junto ao mar
fumacentos e ardidos,
desnacionalizados pelo mundo
que atracou mil destinos, mil bandeiras que amanhã
numa revoada já terão partido.
Dos bares, - palco de esquecimentos e lembranças,
de corações dopados,
de momentos, como bóias, flutuantes,
- bares que ressoam como os búzios, onde a voz
de mares do sem-fim
assovia distante.
Ah, pudesse naturalizar-me um marinheiro
qualquer,
de um bar qualquer (igual a todos os bares),
para entrar e sair, esquecido da vida,
feliz, com meu navio, mundo a fora...
( Poema de J G de Araujo Jorge
in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )
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