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"
Antienigma "

 
I

Ninguém me explicará.
Não haverá críticas, exegeses,
interpretações.

Não há mistério:
a vida é a vida, não defendo teses,
minha poesia é clara
sem complicação.

II
Não se constrói, não se simula,
não finge,
é caminho aberto
sem obstáculo:

Édipo, sem esfinge
meu canto é um pássaro
esse o meu oráculo.

III
Serei só
pobre como Jó
com esses meus versos
tão ao alcance da mão,

ricos apenas de vida,
de liberdade
e de humanidade,
pois minam como fonte
do coração.

IV
Não sou
de "torres de marfim".
Sou um homem comum.

Escrevo só para mim
e... para qualquer um.


( Poema de J G  de Araujo Jorge
  in "O Poder da Flor" 1a ed.1969 )


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