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" Versos A Um Espelho "
Claro, tendo esse alvor brilhante que há na prata
é uma imagem de luz de uma retina morta.
Não vive . . . e a sua vida afinal que lhe importa?
quando o alheio viver em seu olhar retrata.
Se alguém sorri, sorri . . . Se alguma dor transporta
a uma face o sofrer e nela se desata
numa expressão de angustia; a mesma dor, exata,
espelha . . . e há vida então sobre a retina morta.
E' uma existência a parte . . . e vive tão-somente
como um ser que em si mesmo uma alma não contém
e a dos outros reflete, frio a indiferente . . .
De quanta gente eu sei que está sempre a mudar
de alma, tal como o espelho, toda vez que alguém
sobre o cristal sem vida a imagem vai fitar!
( Poema de J G de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )
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