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" Rapsódia Americana - I V "
Ofertório



Estas terras que vês perderam-se de vista
agora subindo a montanha colorida,
depois descendo a montanha e se atirando imensas
num gesto largo de planície,

estas terras fecundas e boas, ricas e belas,
vestidas de densas matas, de plantações,
ou descampadas e nuas...
- estas terras são tuas!

Estes céus amplos e escampos, que ali se curvam e abaixam
para falar à montanha
ou conversar com o mar,
depois sobem na vertigem do azul;
estes céus claros diáfanos, saturados de luz,
sem uma nuvem sequer com seu lenço de adeus,
- estes céus são teus!

Estes mares revoltos, ferindo-se nas rochas
e rolando sensuais nas curvas praias brancas
ao abano indolente dos leques dos coqueirais,
estes mares imensos, onde dormem a sonham continentes
submersos
como os sonhos meus,
- estes mares são teus!

Apalpa nas tuas mãos esta terra, latejando
com a seiva que pulsa no chão,
e pensarás que tens nas tuas mãos,
vivo, sangrando, um coração!

Ergue os teus braços livres e respira estes ares
impregnados de sol, impregnados de mel,
e pensarás que encheste os teus pulmões
com o próprio céu!

Mergulha teus pés nas águas frias dos rios
que descem da montanha,
nas águas livres do mar
e compreende que esta água que corre te acompanha
e esta onda que se eleva quer se ofertar !

Deita-te depois nas areias mornas para o descanso
sob a benção do Sol que com seu facho rubro
a montanha acendeu,
- que este mundo é teu!

Tens este céu azul, este mar verde, este ar puro,
esta terra colorida,
e pensa estrangeiro, que agora sim, haverá futuro
em tua Vida!



( Poema de J G  de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )


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