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" Música "
Hoje eu queria mudar-me para o país da música
o país sem fronteiras da harmonia
e da beleza intangível...
Não queria ter pés, nem mãos, nem vísceras, nem corpo,
mas apenas ouvido,
hoje eu queria ser apenas ouvido
viver por esse único sentido
e ser uma onda sonora perdida no espaço...
Fundiria o mais remoto passado ao mais longínquo futuro,
estaria no primeiro estalido da primeira folha que caiu
ao primeiro vento,
no primeiro rumor de peixe dentro do mar
e das primeiras asas no ar,
e vibraria no choro da ultima criança que ainda vai nascer
badalada nao vibrada, a ainda em silencio no
gongo imóvel...
Hoje eu queria ser apenas som
som sem principio a sem fim,
som, som eterno, eterno som . . .
Devia ser bom
ser apenas som,
som no espaço; eterno a indestrutível,
confundido com o primeiro movimento
que seria também o ultimo...
( Poema de J G de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )
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