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Improviso nº  4 "

    

E eu que trago sobre o oceano as velas
pandas e cheias,
brancas como as areias
de lendárias caravelas
do sonho,
impelidas ao mar pela imaginação,
- quando salto na terra e a caminhar me ponho
jogo o rolo dos caminhos
alegres e contentes,
que como vivas serpentes
deslizam logo sinuosos... correndo logo no chão

E ao olhar receoso dos homens todos
da tripulação
ante os gentios bizarros a selvagens,
- saio a cantar!... Meu canto é a sonorização
das cores vivas
berrantes
das suas paisagens!
- das almas puras, nativas
dos seus habitantes!

E a minha voz na terra virgem, devoluta,
de quebrada em quebrada
canta a ecoa,
- da planície que se abre verde a descampada
ao peito cavo da floresta bruta
onde ressoa!

E esse altíssono grito
que solto em saudação ao esplendor dos céus
em ecos vai rolando pela escadaria
do infinito,
(parece até que blasfema! )
Esse grito de - terra! - anuncia em meu Ser
a luz de um novo dia:
- um novo Poema!

Quando esse poema escrevo... quando aos meus olhos surge
a nesga pequenina da terra
que pode ser afinal um continente
que da distancia me agita,
- solto do mastaréu
o meu grito de alerta
e a alegria que foge dos meus olhos verdes
pela descoberta,
- é infinita!


( Poema de J G  de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )


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