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"
Imprevidência "



Vamos seguindo assim, desprevenidamente
a brincar com  o Destino... e a pensar que brincamos...
quando, na realidade, ele brinca com a gente,
e trama qualquer coisa que não suspeitamos...

Julgamos dominá-lo... e, que somos ? - dois ramos
arrastado por ele ao sabor da corrente...
Bem que percebemos quando nos amamos
mas teimamos, seguindo assim, inutilmente...

Prolongamos em vão um traiçoeiro dilema:
- ou tu te entregarás um dia, com ternura,
ou teremos criado um eterno problema...

Fora disto, há o recuo, bem sei... Mas assim
- tua vida há de ser um remorso sem cura !
- minha vida há de ser uma angústia sem fim !



( Poema de J G  de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )


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