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 "Fuga e Passional"

Deixa que eu procure noutras o que só há em ti
para que te ame mais ainda
e para que te sintas mais amada...
Deixa que encontre tua ausência no corpo de outras  mulheres

Oh! minha doce madona idolatrada...

Bem sabes que fujo em vão! não queiras impedir
minhas fugas inúteis
se hei de soltar de novo e sempre ao teu amor...


Por que infundados receios se as outras não poderão me ofertar
o que só há em ti
em teu corpo, em teus olhos, em teus braços ...
- se as outras não possuem as emoções do nosso encontro
e o nosso passado, e as nossas ânsias, e os nossos projetos,
nem as carícias e os beijos
dos nossos instantes mais secretos ...

Bem sabes que voltarei! ... Que eu morreria de tristeza
se te perdesse
se soubesse que não me esperavas e que já não existias,
- se o porto da tua vida, do mapa de meu destino
desaparecesse...

Bem sabes que voltarei!...  A certeza de que não te encontrarei nunca
em outras mulheres
há de fazer com que volte sempre de toda viagem,
como o navio cansado de roteiros estranhos
alegre ao ver a amiga e insubstituível
paisagem ...

Não tentes impedir minha partida, que eu recearia mesmo
ser impossível,
na imobilidade das águas, se encheria de algas o casco do veleiro
e suas velas morreriam de uma tristeza invencível,
de um profundo torpor...

Não tentes impedir que eu vá, que eu morreria
com o nosso amor...

( Poema de  J G  de Araujo Jorge - in
" Festa de Imagens " 1a ed. 1948 )


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