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" Balada aos Mastros Viageiros "
Velhos mastros, velhos mastros,
enamorados dos ventos
enamorados dos astros,
quantas ânsias e lamentos
vozes de ignotos tormentos
das cordas tensas dos ventos,
sabeis, ó mastros tirar!
Velhos mastros, velhos mastros,
nos céus há estranhos violinos
que os vossos arcos divinos
vão tocando sobre o mar!
Retesos para os espaços
nesse infinito de paz
que circunda os vossos passos,
sempre a oscilar, a oscilar,
aos balanços, solavancos,
ides fazendo mil traços
- quem sabe se versos brancos
monologados pelo ar?!
À luz de todos os sóis
um porto agora, outro após,
sempre a avançar, a avançar,
seguis assim, noite a dia,
cantando com a ventania
e às vezes gemendo em ais,
- à frente buscando o mar
deixando o mar para trás!
Sois como a alma dos poetas
dos sonhadores e ascetas,
gostais de estar sempre a sós!
Invejo-vos velhos mastros
se acaso a pensar me ponho,
- dos ventos, fazei um hino,
- das bandeiras, um destino!
- das gaivotas, um sonho!
Velhos mastros verticais
como certos pensamentos,
vossas bandeiras de paz
são almas soltas aos ventos...
Levai também, velhos mastros,
ao sopro forte do mar,
tal como inquieta bandeira,
a minha alma aventureira
que quer partir a sonhar...
Levai a inquieta bandeira,
pendão que encerra mil cores
e que ama todas as terras
homens, pássaros a flores,
levai-a no alto a acenar!
Será a mensagem de um povo
no canto de um poeta novo,
desfraldada, ó velhos mastros,
o mundo inteiro a saudar.
Velhos mastros, velhos mastros,
pêndulos da alma do mar
marcando o tempo a oscilar
sob as borrascas a os astros,
levai-a com o arco-íris
da mais recente bonança,
enquanto houver esperança
e o homem falar em paz.
Hasteai-a velhos mastros
ou será tarde demais!
( JG de Araujo Jorge - extraído do livro
" Festa de Imagens " 1a edição 1948 )
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