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 "Mestre"

De dia
ruídos profanos me separam do mar

Sua voz se perde como todos os cantos líricos
na algazarra das multidões,
como voz superior e incompreendida
falando ignorado idioma para bárbaros

Para ouvi-lo
Vou às vezes à praia, na presença de estranhos,
e o encontro indiferente como um louco a monologar
estranha declamação.

À noite, quando os homens dormem e abre-se o imenso
     [anfiteatro
é que eu o escuto e o compreendo.
No silêncio da noite, - dominando as coisas ao redor
seu canto é altissonante e belo
intercalado de silêncios primitivos e selvagens.

Dominado pela sua música
é que meu pensamento ensaia e balbucia
algumas palavras
- quase poesia.


   (Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro A Outra Face   - 1949)

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