
![]()
*****************************************
"Mestre"
De dia
ruídos profanos me separam do mar
Sua voz se perde como todos os cantos líricos
na algazarra das multidões,
como voz superior e incompreendida
falando ignorado idioma para bárbaros
Para ouvi-lo
Vou às vezes à praia, na presença de estranhos,
e o encontro indiferente como um louco a monologar
estranha declamação.
À noite, quando os homens dormem e abre-se o imenso
[anfiteatro
é que eu o escuto e o compreendo.
No silêncio da noite, - dominando as coisas ao redor
seu canto é altissonante e belo
intercalado de silêncios primitivos e selvagens.
Dominado pela sua música
é que meu pensamento ensaia e balbucia
algumas palavras
- quase poesia.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro A Outra Face - 1949)
*****************************************