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"Antúrio"
Na calma da minha varanda prosaica
escancarada para uma rua de amendoeiras e banhistas
assisto a vida de pijama.
Meus olhos devoram ansiosos de paisagem
uma fatia de mar entre gumes de arranha-céus afiados.
Um navio que passa, entra e sai, como corista
nos bastidores dos arranha-céus.
Na calma varanda da minha rua moderna de
[Copacabana
escrevo.
Olho as verdes folhas cordeiformes do antúrio
[decorativo
prometendo rubras inflorescências em seu jarro
[vermelho,
olho a nesga da praia vazia na manhã úmida
e sonho como Anchieta, - a monologar com as areias
na paisagem exuberante e inviolada.
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro A Outra Face - 1949)
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