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 "AMENDOEIRAS "

No mês de julho, todo ano, as amendoeiras da minha rua
mudam de roupa.

Despojam-se de repetente das velhas folhas
enferrujadas
e abrem outras tão verdes como se o criador acabasse de
tocá-las...

Durante um mês, o vento inquieto, como criança
revolve as folhas secas, e há pelas noites frias
uma algazarra vegetal de despedidas...

Este ano, só uma amendoeira não trocou suas folhas
inexplicavelmente;
no meio das outras, verdes, tenras, como árvores recém-nascidas
ela ficou triste e nostálgica, com suas velhas folhas enferrujadas
sacudida pelo vento....

Será a morte
Ou será poesia?


  (Poema de JG de Araujo Jorge  extraído
do livro A Outra Face   - 1949)

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