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Voltar "

    
 De países frios,
de países quentes,
descendo e subindo rios
ou sobre o dorso do mar,

chegam e partem navios,
navios livres, contentes,
que vêm, - vão, sem parar...

Que vontade de vir com os navios que chegam
de países frios, de países quentes,
de portos que talvez eu não verei jamais...
- para que alguém me esperasse com dois olhos felizes
e um lenço branco esvoaçante, como uma ave presa
batendo asas no cais...

Será mesmo, que haveria um lenço a acenar assim
de longe, para mim,
em desvario?
Ou meu olhar, - com uma grande e dolorosa surpresa, -
se encheria de infinita tristeza
ao ver o cais vazio?
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Há dias assim... em que desejaria
voltar, não sei de onde,
vir lá da curva do céu, lá de onde o sol se esconde
sobre o mar...

Voltar... por essa estranha e esquisita alegria
de voltar...
 

( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )


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