*****************************************


"
Serás ... Serei...  "
                                            ( Segundo Motivo Lírico )

    
I
Serás a brasa ardente,
a chama
a brilhar mais vivamente
ao vento que passa...
Serei o vento outra vez, serei o vento
a arder os teus sentidos
numa irrequieta alegria.
- a fazer dos momentos gloriosos
e vividos
dia a dia,
e das ânsias e dos gozos,
- espirais de fumaça
e de poesia!

II
Espirais de fumaça, esguias,
azuis,
monólogos de sonhos e poesias
que ainda não compus,
intentando lembrar as linhas dos teus traços
e a tatuarem nos espaços
teu corpo de fumaça
e tua alma de luz!

III
As líricas espirais dos poemas que componho
lembrando restos de sonho,
e que vem de ti, porque te amo
e porque me amas,
como da brasa acesa fogem para os céus
numa dança de gestos e de flamas,
espirais de fumaça
envolvendo de véus
os corpos bailarinos e louros das chamas!

IV
Serei o vento, sim! Virei de muito longe,
da experiência das minhas emoções,
pela infinita estrada
onde deixei um sonho preso a cada espinho,
e em cada espinho presa uma ilusão fanada...



Virei de muito longe, sim, nesse caminho,
que vai chegar a ti,   
onde os cardos e as rosas se misturam pelas
encruzilhadas,
- julgando trazer as mãos cheias de estrelas,
quando apenas colhi
os louros pirilampos soltos nas estradas!

V
Serei o vento, sim! encherei teus ouvidos
com as canções mais distantes, mais estranhas
de povos desconhecidos
que moram para além do mar e das montanhas...

Transbordarei teus olhos com o caleidoscópio
das paisagens bonitas
e esquisitas
do mundo em que habito,
e dar-te-ei a provar do extraordinário ópio
infinito
da minha alma,
- e então te levarei pela mão, dócil, calma,
deslumbrada,
em abandono,
e como que embalada
num sono!


( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )


*****************************************

Home