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 "Queria"...
 
 Queria que seguíssemos os dois
 sempre unidos, assim,
 na dor e na alegria a caminhar,
 - como dois lábios que sorriem juntos,
 ou dois olhos que, juntos
 e só juntos,
 é que podem chorar!
 
 Queria
 e entretanto, como a noite e o dia,
 - quando eu chego, tu partes,
 quando voltas, não posso mais te ver. . .
 E vivemos os dois, eternamente, assim,
 ou das horas tristonhas de algum poente,
 ou das horas furtivas de um nascer...
 
 Se o destino não quer, - que fazer?  - não nascendo,
 para seguir os dois por um mesmo caminho,
 - tu deves andar só,
 eu devo andar sozinho;
 nem podes me culpar.,
 nem te culpo nada.,
 e temos que viver avaramente assim
 das migalhas de amor de cada encruzilhada...
 
 Às vezes penso para mim,
 (e aprendi a pensar desde menino)
 como é estranho o destino!
 
 Nossas vidas distantes... E no entanto outras vidas
 que ansiariam talvez estar sozinhas
 e caminhar a sós,
 seguem juntas e presas, como linhas
 amarradas por nós ...


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )

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