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 "Em tom de prece"
 
 Vinde a mim, oh! mulheres belas, oh! mulheres puras,
                             [oh! mulheres perfeitas
 que sereis as supremas eleitas
 da minha aflição,
 - vinde a mim, que eu cansei de pervagar nas ruas,
 e trago o olhar entediado de mulheres nuas
 que não sei de onde vêm
 nem sei para onde vão ...
 
 Vinde a mim, - dessedentai com a água clara e milagrosa
 da fonte dos vossos beijos,
 meus lábios bêbedos, envenenados
 de pecados
 e vinhos
 que encontraram nas poças dos desejos
 a margem dos caminhos...
 
 Trazei aos meus lábios a água boa, a água fresca, a água
                                             [purificante
 do cântaro de barro dos vossos lábios vermelhos,
 e deixai que à sombra das vossas mãos, com a cabeça
    [no pouso
 dos vossos joelhos
 por um instante,
 eu possa compreender a vossa linguagem acariciante
 e os vossos conselhos...
 
 Deixai que eu repouse, que eu durma, que eu descanse
 à sombra das vossas mãos, ao cuidado dos vossos desvelos,
 - e oferecei à minha alma um pouco de romance,
 o céu dos vossos olhos...
 - e a noite dos vossos cabelos ...
 
 Deixai que eu repouse, que eu descanse, que eu viva um
                                      [segundo ao menos
 
 liberto dessas angústias e de desejos malsãos
 em vossos braços serenos e em paz...
 - deixai que eu adormeça em vossos corpos, a carícia
  [das vossas mãos
 e não desperte mais...

 
  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )

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