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 " Oráculo "

 
 Sinto que vens de longe, através das eras,
 para um mundo profano, esquecido das olímpicas
 belezas,
 das mediterrâneas primaveras
 e das perfeições supremas...
 
 Eu sabia que vinhas, e por isso eu te esperava ...
 
 Ressuscitarei em teu corpo a alma perdida e escrava,
 e ao milagre da ressurreição,
 vibrarão teus ouvidos com a música dos meus poemas
 e os teus olhos com a fantasia da minha imaginação!
 
 Despertarei em tua carne todos os gestos adormecidos
 e ressoarão novamente em teus sentidos
 acordes imortais de outros hinos de amor...
 
 Soprarei a luz nas tuas órbitas frias e inanimadas
 que não viram a marcha dos tempos,
 e na superfície de cristal de tua beleza serena
 acordarei repuxos de líquidos corpos
 transparentes,
 e mergulharei nas profundezas as minhas mãos nervosas
 - as minhas mãos ardentes...
 
 Depois... eu turvarei a pureza sem mácula da tua alma presa
 e adormecida,
 trazendo-te do fundo de ti mesma, e entregando-te surpresa
 a própria Vida ...
 
 Libertarei o teu corpo feito de ritmos elementares
 para a suprema celebração desse milagre criador...
 E dos teus esponsais com o Poeta, renascerão em tuas formas
 todas as estátuas gregas,
 e de teu ventre virá a luz que há de perpetuar a beleza
 na imagem de um novo deus, filho do nosso amor!
 
 
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )

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