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" Funeral "
Melancolicamente reclina
sobre a murada verde das encostas,
- a tarde, como um vulto de mãos postas,
cai de joelhos sombreando os vãos da estrada...
Vem a noite chegando, e acende os círios
das estrelas nos altos castiçais,
- e as derradeiras luzes lembram lírios
envolvidos em gazes funerais...
Há um cântico de pássaros em coro,
e dos órfãos regatos, nas encostas,
ouve-se um quase imperceptível choro...
Há um silêncio que punge, no ar contrito...
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A montanha é um cadáver de mãos postas
no ataúde infinito do Infinito!.
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )
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