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" Fastio "
Há momentos assim, de invencível fastio
em que a vida se torna imprecisa e parada,
- e em que o nosso sorriso é quase um desafio
aos que, tudo querendo, não alcançam nada!
Hoje, quisera ser um vegetal, um rio,
uma pedra !... a alma ter insensibilizada...
Tanta coisa ao redor, - e parece vazio
o mundo que margina essa intérmina estrada...
Tanta coisa quis ser há um segundo! No entanto
já não quero mais nada, - a alma tenho vencida,
e nem sei explicar por que escrevo tanto...
E escrevo, e penso, e sofro, e choro, e rio!
- Tanta coisa ! E afinal, como é inútil a vida
em momentos assim de invencível fastio!
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )
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