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 " Eterno Motivo "

 Não me envergonho nunca de falar de amor !
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  Terá vergonha a fonte em murmúrios de festa,
 águas claras rolando dentro da floresta
 de embalar a flor?
 
 Terá vergonha o pássaro inquieto, sozinho,
 de um dia cantar mais, (como todos cantamos...)
 - e tecer com gravetos de palha o seu ninho
 na altura dos ramos?
 
 Terá vergonha a terra de acordar cheirosa
 e inteirinha vibrar ao despontar do dia,
 oferecendo ao sol sua boca macia
 naquela rosa?
 
 Terá vergonha o mar de acariciar a areia
 e oferecer-lhe conchas ao invés de anéis?
 E dizer-lhe canções, em que todo se enleia
 aos seus pés?
 
  Terá vergonha a noite, que de astros se encheu,
 ao pôr o seu vestido imensamente azul
 para um baile de luz,
 de ostentar o presente que o tempo lhe deu.
 o "pendentif" em cruz
 do Cruzeiro do Sul?
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 Por que razão, portanto, - Ele, o predestinado,
 que nasceu para amar com grandeza e esplendor
 e trouxe um coração de poeta enamorado
     há de sentir pudor?
 
 Eu, por mim, sou feliz, porque amo e sou amado!
 Nem me envergonho nunca de falar de amor!


   
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )

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