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 " Balada aos  Teus Encantos "

 
 Há no teu corpo coleios
 de serpente pelo chão.. .
              Quem sabe, pois, se os teus seios
  são serpentes enroscadas,
 em sensuais emboscadas,
 - escondidos como estão?
 
      São tão belos os teus seios,
 redondos, vivos e cheios,
 cheios, como luas cheias
 e brancos como as areias,
 - irrequietos como o mar...
 As vezes, quando te agitas,
 palpitam trêmulos no ar,
 -  são  duas  aves  aflitas
 presas de ânsias infinitas
 mas que não podem voar...
 
  São duas aves esquivas
 irrequietas e lascivas
              que quando escapam do ninho
     erguem seus bicos ao céu;
 - aves sem asas, cativas,
 em posições agressivas
  crescendo em tua nudez,
       - nos bicos cor de uva e mel
 têm duas gotas de vinho,
           de um doce vinho, de um vinho
    de uma infinita embriaguez.
 
 Sentinelas     avançadas
 de tuas formas ousadas,
    não se rendem com certeza
 guardando a tua beleza,
  e embora caia o teu corpo
 e entregues tua alma até,
     - teus seios, esses teus seios,
 redondos, belos e cheios,
      erguem-se mais, sem receios!
 - ainda estão vivos, de pé!
 
 Quando se atiram no ataque
 enfrento-os com o meu desejo!
 - não há forca que os aplaque,
 não   há   carícia, nem  beijo,
 se os tento em vão dominar...
 Que eles assim me entontecem:
      - sou como o vento! E eles crescem:
 - são   como   as  ondas  do  mar !
 Roubaste ao mar duas ondas
 são duas ondas redondas.
 que ostentam pérolas raras,
 pérolas cor de cereja
 que o meu desejo deseja
 no teu corpo de águas claras. . .
 
 - são duas ondas redondas
 que espraiam contra o meu peito
 quando em teu corpo perfeito
 - no oceano - que é o nosso leito,
 sou como um barco no mar...
 
 Roubaste ao mar duas ondas
 são duas ondas redondas
 onde me vou naufragar...


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )

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