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" Elogio da Chuva "
Chove... Que chuva boa!... Ouço a chuva que canta !
Tomara que chova mais, que a chuva não tenha fim...
Por que, na alma da gente às vezes triste e empoeirada
não há dias também... de chuva boa assim ?
No ar lavado, no ar novo, no ar puro, no ar fresco,
as coisas todas respiram e enchem de ar os pulmões...
Chove... que chuva boa!... A terra toda é um hino
na alegria feraz da seiva nas plantações !
Escancaro a janela !... E a chuva bate no meu rosto,
tem líquidos carinhos em seus dedos molhados,
- parece que me faz festa só porque abria a janela
e lhe ofertei meus dois olhos enxutos e ensimesmados...
Vejo a chuva... tenho vontade de sair na chuva
coo os moleques sem pais ou como as crianças felizes,
para senti-la em meu Ser, como as árvores e as plantas
dos galhos e das ramagens até as funda raízes !
Vontade de me deitar na terra úmida e fresca
para ouvir dentro do chão recônditas harmonias,
e ficar de olhos abertos, cheios, transbordantes
como duas nascentes de águas límpidas e frias...
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Como eu gosto de ti, chuva forte e sadia
que cais fecundando a terra e abrindo a terra em mil grãos,
molhando os lábios sedentos, enchendo os rios vazios,
que cais pra todos chamando aos homens todos de irmãos...
Teus pingos são como claros e líquidos diamantes
que valem mais que os diamantes que estão perdidos no chão,
- sem eles, ficam os ricos sem seus adornos brilhantes,
sem ti, - ricos e pobres, - ficam sem nada, sem pão!
(Friburgo - Cantão de Itoroquem )
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )
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